Reforma Tributária

Reforma Tributária: o que muda (de verdade) no caixa da empresa em 2026 e 2027

Ana Caroline Dias OAB/MG 246.385 5 min de leitura
Reforma Tributária: o que muda (de verdade) no caixa da empresa em 2026 e 2027
Em resumo
  • PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS serão substituídos pela CBS (federal) e pelo IBS (estados e municípios)
  • 2026 é ano de teste, com alíquotas simbólicas
  • Em 2027, a CBS passa a valer de fato e PIS e Cofins deixam de existir
  • ICMS e ISS diminuem gradualmente de 2029 a 2032
  • o modelo fica completo em 2033

Todo mês algum empresário pergunta: “essa Reforma Tributária muda o quê para mim, na prática?” A resposta honesta é: depende do porte e do regime da empresa. Como estive à frente da gestão de um negócio antes de advogar, sei que o dono não precisa decorar siglas — precisa entender o que muda no caixa e o que fazer agora.

A Reforma em uma frase

A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 unificam cinco tributos sobre consumo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — em um modelo de IVA dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios). Também é criado o Imposto Seletivo, sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

A ideia central é simplificar e permitir crédito amplo do que a empresa paga ao longo da cadeia — a chamada não cumulatividade plena.

O calendário da transição

Na prática

2026 é um ensaio. O impacto real no caixa começa em 2027 e varia muito conforme o tipo de negócio, o regime e a posição da empresa na cadeia.

O que muda por regime

Simples Nacional

O recolhimento continua unificado no DAS. A novidade é que, a partir de 2027, a empresa do Simples pode escolher recolher a CBS e o IBS fora do DAS, pelo regime regular, mantendo os demais tributos no Simples. Isso permite transferir créditos integrais aos clientes — o que pode importar para quem vende a outras empresas.

A opção para o primeiro semestre de 2027 foi aberta em setembro de 2026, conforme anunciado pelo Ministério da Fazenda. Quem não optou continua com os novos tributos dentro do Simples.

Lucro Presumido e Lucro Real

Há tarefas desde 2026: adequar a emissão de notas fiscais aos campos de CBS e IBS, atualizar sistemas, revisar cadastros de produtos e serviços e conferir o enquadramento. Em 2027, o fim de PIS e Cofins muda o cálculo de preços e de créditos.

Crédito e escolha de fornecedor

Com a não cumulatividade plena, empresas maiores tendem a valorizar fornecedores que gerem crédito integral. Na prática, um negócio do Simples que vende para outras empresas pode precisar reavaliar seu posicionamento e, em alguns casos, a forma de recolher CBS e IBS. Não é motivo para pânico; é motivo para planejar com antecedência (veja também como escolher o regime tributário).

Split payment e o fluxo de caixa

A LC 214/2025 prevê que parte do tributo seja separada já no momento do pagamento da operação — o split payment. Em vez de passar pelo caixa da empresa para depois ser recolhido, o valor do imposto pode ser destinado diretamente ao Fisco na liquidação financeira. A implementação será gradual, mas exige desde já um olhar mais atento ao capital de giro.

O que fazer agora

O erro mais comum não é a alíquota. É chegar a 2027 sem ter revisado nada.

A transição é longa e gradual, e as decisões mais relevantes dependem do regime, da atividade e da posição da empresa na cadeia.

Perguntas frequentes

O que muda com a Reforma Tributária em 2026?

2026 é ano de teste: a CBS (0,9%) e o IBS (0,1%) aparecem nas notas fiscais para calibrar os sistemas. O objetivo é que o ano seja neutro, sem aumento de carga.

Quando PIS e Cofins deixam de existir?

Em 2027, quando a CBS passa a ser cobrada de fato, conforme a Lei Complementar 214/2025.

Empresa do Simples Nacional paga IBS e CBS?

Sim, mas, em regra, dentro do DAS. A partir de 2027, a empresa pode optar por recolher IBS e CBS fora do DAS, pelo regime regular, para transferir créditos integrais aos clientes.

O que é split payment?

É o mecanismo em que o valor do tributo é separado no momento do pagamento da operação e destinado diretamente ao Fisco, em vez de passar pelo caixa da empresa. Está previsto na LC 214/2025, com implementação gradual.

Este conteúdo é informativo. Para entender como o tema se aplica à sua empresa, é possível falar com o escritório.

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Ana Caroline Dias, advogada

Ana Caroline Dias

Advocacia Tributária · OAB/MG

Advogada tributária com mais de dez anos de vivência à frente da gestão de uma empresa familiar. Atua ajudando empresários a enfrentar questões tributárias com estratégia, prevenir riscos e organizar decisões — a partir da perspectiva de quem já esteve do outro lado do balcão.

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