Reforma Tributária

Reforma Tributária 2026: o que muda (de verdade) no caixa da sua empresa

Ana Caroline Dias OAB/MG 246.385 7 min de leitura

Todo mês algum empresário me faz a mesma pergunta: "essa tal de Reforma Tributária muda o quê pra mim, na prática?" A resposta honesta é: depende do porte e do regime da sua empresa. E como eu já estive à frente da gestão de um negócio antes de advogar, sei que o que o dono precisa não é decorar sigla — é entender o que muda no caixa e o que fazer agora. É isso que vou explicar aqui, sem juridiquês.

A Reforma em uma frase

A Reforma unifica cinco tributos sobre consumo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — em um modelo de IVA Dual, formado por dois novos tributos: a CBS (federal) e o IBS (de estados e municípios). A ideia central é simplificar e permitir crédito amplo do que a empresa paga ao longo da cadeia, a chamada não-cumulatividade plena.

2026 é ano de teste — não de conta maior

Este ano funciona como um ensaio geral. Os novos tributos aparecem com uma alíquota simbólica, só para as empresas e o próprio governo calibrarem sistemas e notas fiscais. A transição para o modelo completo é gradual e se estende ao longo dos próximos anos.

O ponto que tira o medo

O objetivo declarado é que 2026 seja neutro — sem aumento de carga tributária neste primeiro ano. O impacto real começa a aparecer a partir de 2027, e varia muito conforme o tipo de negócio e o regime.

O que muda por regime

Simples Nacional

Para quem está no Simples, em 2026 a rotina praticamente não muda: o recolhimento continua unificado no DAS. A entrada da Reforma no regime começa a ser sentida mais adiante, e é aí que vale atenção — especialmente para quem vende para outras empresas.

Lucro Presumido e Lucro Real

Aqui já há tarefa para este ano: adequar a emissão de notas fiscais aos novos campos de CBS e IBS (mesmo que ainda de forma simbólica), atualizar sistemas, revisar cadastros e conferir o enquadramento.

O detalhe que quase ninguém comenta: crédito e escolha de fornecedor

Com a não-cumulatividade plena, empresas maiores tendem a valorizar fornecedores que gerem crédito. Na prática, isso significa que um negócio do Simples que vende para outras empresas pode, no futuro, precisar reavaliar seu posicionamento — e, em alguns casos, o próprio regime. Não é motivo para pânico; é motivo para planejar com antecedência.

Split payment e o seu fluxo de caixa

O novo modelo prevê que parte do tributo seja separada já no momento do pagamento (o chamado split payment). Isso altera o fluxo de caixa da empresa e exige um olhar financeiro mais atento — dinheiro que antes passava pelo caixa da empresa pode ser destinado ao imposto na própria operação.

O que fazer agora

O erro mais comum não é a alíquota. É chegar em 2027 sem ter revisado nada.

Mudança tributária assusta menos quando é traduzida em decisão de negócio. Foi assim que aprendi a enxergar o tema — do lado de quem administra a empresa — e é assim que procuro orientar: com foco no risco, na organização das informações e na segurança de quem decide.

Ana Caroline Dias

Advocacia Tributária · OAB/MG

Advogada tributária com mais de dez anos de vivência à frente da gestão de uma empresa familiar. Atua ajudando empresários a enfrentar questões tributárias com estratégia, prevenir riscos e organizar decisões — a partir da perspectiva de quem já esteve do outro lado do balcão.

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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui consulta ou parecer jurídico, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB. Cada empresa possui particularidades — para orientação sobre o seu caso, procure um profissional.