Regimes & Planejamento

Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real: qual faz sua empresa pagar menos

Ana Caroline Dias OAB/MG 246.385 6 min de leitura

Poucas decisões pesam tanto no caixa de uma empresa quanto a escolha do regime tributário. Ela define quanto você paga de imposto, quanta burocracia terá no dia a dia e até a sua margem. Como já geri uma empresa antes de advogar, sei que essa escolha muitas vezes é feita no automático — e sai caro. Vamos entender cada regime sem juridiquês.

Os três regimes em resumo

O erro de achar que o Simples é sempre melhor

O Simples costuma ser vantajoso, mas não em todos os casos. Empresas de serviços, dependendo da atividade e do peso da folha de pagamento, podem cair em anexos com alíquotas altas. É aqui que entra o Fator R: a relação entre folha e faturamento pode mudar completamente o anexo — e o imposto devido.

O ponto central

Não existe “melhor regime” universal. Existe o melhor regime para o seu faturamento, a sua atividade e a sua margem. O que serve para o vizinho pode ser o pior cenário para você.

Quando o Lucro Presumido compensa

Ele tende a fazer sentido para empresas com margens de lucro reais mais altas do que a margem presumida pela Receita, ou que exercem atividades vedadas no Simples. Como a base de cálculo é fixa, quem lucra acima da presunção pode pagar proporcionalmente menos.

Quando o Lucro Real entra em cena

Faz sentido para empresas com margens apertadas, prejuízo em alguns períodos, ou com muitos insumos que geram crédito de PIS/COFINS. Como o imposto segue o lucro efetivo, em cenários de baixa lucratividade pode ser o mais econômico.

Como decidir com segurança

A escolha não deveria ser um chute. O caminho é simular os três cenários com os números reais da empresa, revisar essa conta pelo menos uma vez ao ano (a opção pelo regime costuma ser anual) e considerar o efeito da Reforma Tributária, que pode alterar margens e créditos nos próximos anos.

A escolha errada de regime é imposto pago à toa — e ele sai do seu caixa todo mês.

Enxergar isso do lado de quem administra a empresa muda a conversa: não se trata de decorar regras, e sim de organizar informação para decidir melhor.

Ana Caroline Dias

Advocacia Tributária · OAB/MG

Advogada tributária com mais de dez anos de vivência à frente da gestão de uma empresa familiar. Atua ajudando empresários a enfrentar questões tributárias com estratégia, prevenir riscos e organizar decisões — a partir da perspectiva de quem já esteve do outro lado do balcão.

Fale com o escritório

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui consulta ou parecer jurídico, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB. Cada empresa possui particularidades — para orientação sobre o seu caso, procure um profissional.